Candidíase Oral: Guia (COMPLETO)

Vamos a um teste rápido: você já ouviu falar mais vezes em sapinho ou em candidíase oral? Provavelmente na primeira alternativa. Acertamos?

Com alta incidência em bebês e crianças, a candidíase oral é mais conhecida como sapinho do que pelo próprio nome. Também chamada de monilíase oral, além de atingir os pequenos também acomete idosos e pessoas com baixa imunidade.

A candidíase oral é a infecção fúngica (causada por fungos) mais comum da boca. E a semelhança entre seus principais públicos é que todos eles possuem em comum um sistema imunológico sensível, ainda sendo desenvolvido ou enfraquecido pela idade ou por doenças.

A identificação de sintomas da candidíase oral também pode indicar a instalação de doenças graves no organismo. Mesmo sendo a infecção fúngica mais frequente em pessoas com AIDS, é importante não confundir a candidíase oral com a doença. Uma vez que o sapinho é uma de suas consequências e não a causa.

Para esclarecer todas as suas dúvidas sobre candidíase oral, monilíase oral ou sapinho na boca, preparamos um guia completo sobre a doença.

Atenção: antes de prosseguir com a leitura, é válido lembrar que se informar sobre a candidíase oral não descarta a consulta médica ou odontológica à profissionais especializados.

O que você vai aprender:

  • o que é candidíase oral
  • principais tipos da doença
  • quais são os sintomas
  • como se transmite
  • quais são os fatores de risco
  • tratamentos indicados

O que é candidíase oral?

A candidíase oral consiste em uma infecção fúngica na orofaringe.

Assim como outros tipos de candidíase, como intestinal e vaginal, a forma oral, na maioria dos casos, é causada pela proliferação do fungo Candida albicans. Porém, a doença também pode se manifestar a partir da multiplicação de outras espécies como Candida glabrata, Candida krusei ou Candida lusitanie.

A orofaringe está localizada logo atrás da boca, o que inclui a base da língua, as amígdalas, o palato e a parte posterior da garganta. É atingida pela candidíase oral quando, com a baixa imunidade do organismo, o fungo encontra as condições adequadas para se multiplicar. Então, assume uma forma patogênica invasiva. Em outras palavras, começa a tomar conta do corpo do hospedeiro causando infecções e outras complicações.

É importante entender que, por mais estranho que pareça, existem inúmeras bactérias e fungos vivendo pacificamente no corpo humano. Presentes na boca, na pele e em todo o sistema digestivo, eles são naturais da flora microbiana. E cooperam para o funcionamento do organismo.

Por isso, quando o sistema imunológico está saudável e forte consegue controlar a população de microorganismos sem que eles provoquem o surgimento de doenças. Aí está a importância de manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos regularmente. São pequenas atitudes que fazem uma grande diferença para o aumento da imunidade do corpo.

Já quando estamos com baixa imunidade, doenças como a candidíase oral podem aparecer rapidamente. Um sistema imunológico enfraquecido é um prato cheio para a proliferação de fungos como a Candida albicans. E quanto mais debilitado ele estiver, melhores as condições para que a manifestação do fungo se torne ainda mais perigosa.

No caso das crianças, a doença incide com uma frequência maior porque o sistema imunológico delas ainda está em desenvolvimento. Ou seja, têm o corpo mais sensível a mudanças internas e externas.

O sapinho na boca dos pequenos aparece por causa do hábito que eles têm de colocar os objetos que encontram pela frente na boca. Isso aumenta as chances de infecções, de modo geral. Mas, na candidíase oral, pode contaminar os mamilos da mãe com o fungo durante o aleitamento. Por isso, pediatras batem tanto na tecla da importância da higienização de objetos de uso pessoal como chupetas e mamadeiras.

Assim como em qualquer outra doença, o diagnóstico precoce é fundamental para a cura do sapinho seja em sua forma inicial como na avançada.

A candidíase oral pode causar complicações como a perda de peso e até mesmo o estreitamento do êsofago. Portanto, ao sentir os sintomas não deixe de buscar ajuda especializada.

A doença pode se tornar fatal quando o fungo cai na corrente sanguínea, chegando ao coração ou sistema nervoso central.

Tipos de candidíase oral

Atualmente a candidíase oral se subdivide entre três grupos: eritematosas, hiperplásica e pseudomembranosa.

Eritematosas são aquelas que apresentam vermelhidão causada pela vasodilatação da pele. Hiperplásica é quando apresenta placas ou nódulos esbranquiçados que não são removíveis. Já a pseudomembranosa é a mais comum: causa manchas brancas que podem ser facilmente raspadas.

Confira quais são os quatro tipos de candidíase oral:

  1. Eritematosa aguda
    Geralmente se manifesta após a ingestão de antibióticos orais, causando dor e vermelhidão ou erupção cutânea (eritema) na língua.
  2. Eritematosa crônica
    Bastante comum quando se usa próteses dentárias como as dentaduras, provoca a vermelhidão da gengiva e não provoca dor.
  3. Hiperplásica crônica
    É caracterizada pelo surgimento de manchas brancas nas bochechas ou na língua. Sintoma que persiste, demora para desaparecer e não sai com a raspagem da placa esbranquiçada.
  4. Pseudomembranosa
    Parecida com a candidíase oral hiperplásica crônica, a pseudomembranosa também provoca manchas brancas na boca. A diferença é que podem ser facilmente removidas.

Quais são os sintomas da candidíase oral?

Com diagnóstico simples, a candidíase oral pode ser identificada tanto através das lesões que provoca na boca como quando é conhecido algum fator de imunidade baixa no paciente. Para que você entenda melhor quais são os fatores de risco que provocam a baixa imunidade, vamos falar melhor sobre eles mais adiante.

Ainda sobre a fase de diagnóstico da doença, alguns especialistas solicitam um procedimento em que raspam parte da lesão para que possam analisar no microscópio a presença do fungo.

Já em casos mais avançados, quando a doença chega ao esôfago e/ou à laringe, podem ser solicitados outros procedimentos como uma endoscopia digestiva alta com biópsia. O exame ajuda a avaliar se outras partes do organismo foram atingidas, como o estômago e o intestino delgado.

Entre os sintomas mais conhecidos do sapinho na boca estão as manchas brancas na língua e nas bochechas, que podem até mesmo sangrar. Com aspecto cremoso, de queijo ricota, elas também podem aparecer nas amígdalas, no céu da boca ou na gengiva.

Algumas pessoas relatam que sentem como se tivessem um algodão em cima da região afetada. Outras, se queixam de sentir os cantos da boca estranhos com pequenas rachaduras – sintoma comum da boqueira (queilite angular).

As primeiras lesões da candidíase oral podem não causar dor, o que faz com que muitas vezes passem despercebidas. Mas, quando evoluem, a região afetada fica dolorida e o paladar é reduzido. Em situações mais graves, quando a doença vai para a laringe ou para o esôfago, chega a causar a diminuição do apetite, dor para engolir e rouquidão.

Nos adultos, a doença costuma ser mais preocupante. Já nas crianças, geralmente não é grave e, com o tratamento adequado, desaparece rapidamente.

No caso dos bebês, muitas vezes o sapinho na boca é confundido com resto de leite materno. Porém, a diferença é que os sinais do aleitamento saem facilmente quando são removidos com a ajuda de uma gaze. Já as placas brancas características do sapinho não.

Os sintomas mais comuns entre os pequenos são: agitação, dificuldade de engolir e irritabilidade. E, se o fungo for transmitido durante o aleitamento, os mamilos da mãe, que já está com baixa imunidade, começam a coçar, a doer e a ficarem mais sensíveis. Caso verifique algum sintoma, consulte o pediatra de sua escolha.

Candidíase oral x candidíase esofágica

Quando aparece sapinho na boca, os principais sintomas, além das placas brancas, são a dor de garganta e ao mastigar e engolir.

Já na candidíase esofágica, os sintomas atingem a parte de trás do peito quando se engole. A febre baixa também pode ocorrer no início. Porém, em 50% dos casos não ocorrem sintomas.

Como se transmite o sapinho?

Essa é uma questão que sempre confunde a cabeça dos pacientes, mas de modo descomplicado a resposta é que a candidíase oral não é transmissível. Apenas o fungo é. Afinal, é a partir da baixa imunidade do corpo que o fungo se prolifera e, então, a doença se instala.

O beijo e o contato íntimo desprotegido são as principais formas de transmissão do fungo pela via oral. Como acabamos de ver, são meios que transmitem a Candida albicans e não a doença.

Na maioria dos casos, o fungo já estava adormecido no organismo. Isso porque é um dos microorganismos que colonizam a cavidade oral desde o nascimento. E, como tal, faz parte da chamada microbiota normal. Ou seja, é parte do conjunto de bactérias, fungos e protozoários que ajudam a garantir o funcionamento do sistema digestivo.

Considerado como um fungo saprófita, a Candida albicans se alimenta de matéria orgânica em processo de decomposição. Isto é, atua como uma recicladora no sistema imunológico.

Quais são os fatores de risco?

  • Alimentação inadequada, sem a quantidade suficiente de nutrientes
  • Alterações hormonais como uso de anticoncepcionais, gravidez ou menopausa
  • Alterações na mucosa
  • Alterações salivares como xerostomia (boca seca)
  • Baixa imunidade (ou imunossupressão)
  • Doenças crônicas como diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS)
  • Idade avançada
  • Ingestão excessiva de açúcar
  • Má higiene oral
  • Recém-nascidos
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Trocas de epitélio
  • Uso de antibióticos
  • Uso de drogas imunossupressoras ou pesadas
  • Uso de prótese dentária

Tratamentos indicados

O tratamento da candidíase oral pode ser orientado tanto por um clínico geral como por um dentista, visto que é uma doença que acomete a boca.

Para tratar sapinho na boca, os especialistas costumam receitar o uso de antifúgicos em gel ou líquidos e enxaguantes bucais. Um remédio geralmente indicado é a Nistatina, que deve ser consumida quatro vezes ao dia por pelo menos uma semana.

Nos casos mais brandos da doença, o uso de enxaguante bucal para buchecho já é o suficiente para combater o sapinho. Já nos mais graves, o tratamento pode ser realizado com remédios antifúngicos orais como o Fluconazol em comprimido por até duas semanas.

Para complementar o tratamento recomendado, também é preciso ter atenção a cuidados básicos de higiene oral como escovar os dentes e a língua após as refeições.

O uso de spay para a garganta deve ser evitado, porque elimina as bactérias que causam mau hálito e não a proliferação de fungos como a Candida albicans.

E em relação aos bebês, recomenda-se a higienização de chupetas, talheres e mamadeiras após o uso. O que evita a colonização de fungos. O mamilo da mãe também deve ser limpo, com o uso de um creme antifúngico após a sua limpeza.

O consumo de alimentos gordurosos ou ricos em açúcar e a ingestão de bebidas alcoólicas devem ser evitados, porque ajudam a criar as condições adequadas para a proliferação do fungo. Por isso, a dica é preferir alimentos como iogurte, gengibre, limão e salsinha. Eles ajudam a combater a multiplicação da Candida albicans.

Se preferir tratamentos caseiros, um chá indicado é o de poejo.

Em todo caso, procure incluir na sua rotina uma alimentação balanceada aliada à prática de exercícios físicos. Uma vida mais saudável ajuda o seu sistema imunológico a se manter fortalecido e a passar longe de doenças.

Ao sentir qualquer sintoma fora do comum, consulte um médico.

Afinal, fazer uma pesquisa na internet não substitui a orientação de um especialista da área de saúde. Lembramos que o nosso objetivo é apenas ajudar a informar as pessoas interessadas em combater doenças como a candidíase oral. Combinado?

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